domingo, 7 de outubro de 2012

A infância explica o homem

"A infância explica o homem" - quem disse isto foi Drummond, poderia ter sido Freud. Acabo de acordar de um sonho que me parece trazer uma luz, uma explicação. É um sonho recorrente, vira e mexe, estou me vendo em apuros no trabalho, hoje meu anjo da guarda foi Fernanda, uma excelente colega de trabalho, uma ótima amiga. Sua delicadeza e aparente fragilidade, sua doçura, seu jeito de ser feminino não parecem combinar com o trabalho no setor do petróleo. Alias, já  ouvi gente boa dizer que mulher não daria certo trabalhando embarcada, serviço que demanda algum esforço físico, trabalho na graxa. Os paradigmas estão sendo quebrados, mudanças positivas têm acontecido em nosso tempo.

Voltando ao sonho, seria feito um teste de dilúvio talvez (os sonhos não costumam ser muito claros), um teste no sistema de segurança da Plataforma. Estava tudo desorganizado, uma bagunça, eu igual uma barata tonta, sem saber o que fazer, por onde começar, parecia que ia dar tudo errado e por culpa minha. Fernandinha foi destrinchando tudo, encontrando as ferramentas, as peças, organizando o ambiente para começar o trabalho. Muitas vezes sonho que está acontecendo algo muito confuso aqui na P-20, o maior bafafá, e eu me vejo sem saber o que fazer, apavorado, então acordo.

Pois bem: lembrei-me da minha infância, nasci numa casa que tinha ao redor uma oficina de móveis, o barulho das máquinas, o pó de serra entrando na casa, nas nossas narinas, não havia delimitação entre o lar e a oficina, nossa convivência com os empregados de papai, um ambiente de trabalho junto ao lar, com os seus inconvenientes. Talvez, a minha inadaptação ao trabalho, a minha indolência, a minha apatia e a minha falta de iniciativa venham daí. Quando criança eu era hiper bem comportado, tinha um desânimo incrível, talvez fosse anemia, carência alimentar, uma carência afetiva muito grande, sentia muito a falta de afeto e diálogo em nossa convivência familiar. Desenvolvi uma baixíssima autoestima, eis o nó na minha vida.

Com isto não quero colocar a culpa nos meus pais (até porque eles também foram crianças, deram para nós o que receberam de seus pais, de seu meio social). Agradeço a Deus por ter tido pais pobres, mas honestos e trabalhadores, que nos amaram. Hoje, a gente vê tantos escândalos, notícias de corrupção, de que adianta nascer num berço de ouro, mas num meio moralmente corrompido. E o meio influencia muito o ser humano.

Mas o que me parece claro é que a criança que fui, gerou o adulto que sou hoje. Certo, não como uma obra acabada, precisamos mudar algo em nós, estamos em processo de mudança, somos um vir a ser (gosto desse conceito), estamos inseridos num processo evolutivo.

E hoje compreendo melhor os meus pais, vejo que cometo erros que eu criticava neles, vejo que ser pai, ser mãe não é fácil, porque todos nós somos seres humanos e erramos, falhamos. E vejo que compreender os nossos pais, valorizar os nossos pais, amar os nossos pais é fundamental, porque eles são as nossas raízes, não podemos renegar as nossas origens.

Fico por aqui. Que Jesus nos abençoe!

P-20, 05 de outubro de 2012

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