quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Turistando em Vitoria

O prazer de me vestir,  de me arrumar para sair, de me perfumar, de estrear uma roupa nova, de me sentir bonito me olhando no espelho (tenho autocrítica, claro, sei que nao sou bonito). Mas e o fator psicológico, o emocional que esta bem, tudo em cima, nos trinques, só pensando no lado bom da vida, curtindo esse momento com a amada esposa em Vitoria.

Tem horas que, como diz o psiquiatra e escritor Augusto Cury, parece que a gente vive recolhendo lixo, só pensando no que deu errado, colecionando tristezas, focado nos problemas, nao na solução, e fica difícil de a gente sair desse estado de espirito. Mas agora, graças a Deus, eu estou bem, estou feliz, curtindo esse momento tao bonito, numa cidade linda como Vitoria, me preparando para sair, jantar fora, quem sabe ouvir uma música ao vivo, MPB que eu gosto tanto. E me sinto tao agradecido a Deus por isto! E peco  a Deus que me ajude a agradecer mais e a reclamar menos. Fortalece, Senhor, a minha fe em Ti!

Um grande abraço, amigos! Que Jesus nos abençoe!
Vitoria, 22 de novembro de 2012

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Oração da manha

Acordo bem, acordo feliz, isto tem a ver com a fato de ter passado a tarde e início de noite com os filhos ontem em Macaé, o que me traz uma grande alegria ao coração, os meus filhos são maravilhosos! Nós - pais - haveremos de ser pais corujas e achar os nossos filhos a coisa mais linda desse mundo, se não for assim, seremos pais frustrados. Nossos filhos - o nosso lado melhor, a nossa melhor explicação, no dizer do poeta Drummond. Acordo feliz e preciso proclamar isto aos quatro cantos do mundo ( no Facebook alguém irá ler?) porque nem sempre é assim, meu Deus! Nem sempre acordo com essa alegria, com essa vontade de viver, e com essa vontade de agradecer a Deus. Só a vontade de agradecer a Deus  já é uma oração, nem precisa de palavras e nem temos palavras para dizer o que vai dentro de nós, o quanto Te amamos e somos agradecidos a Ti, Senhor.

Acordo feliz e com um poema de Drummond na cabeça, com vontade de declamar um poema de Drummond, oh maravilha! A pessoa que sabe declamar um poema em publico, quem tem o dom de compor, quem nasceu com o dom de fazer poesia, quem nasceu com o dom de cantar, com o dom de ser ator, oh meu Deus! Quantas vocações lindas Tu concedes ao ser humano, para tornar as nossas vidas mais belas e mais felizes, para trazer alimento para as nossas almas sedentas do Seu Amor.

O poema de Drummond é "Canção Amiga", e o poeta conclui de forma magistral:  "Eu preparo uma canção/ que faça acordar os homens / e adormecer as crianças". Quer dizer: uma canção que acorde os homens para a necessidade de promover a paz no mundo, tão necessária para o desenvolvimento feliz das nossas crianças, para que as crianças cresçam felizes e saudáveis, o que não acontece hoje, num mundo em que a violência e a maldade entram em nossos lares, trazendo inquietação aos nossos corações.  E haveremos de nos perguntar: Que mundo estamos legando as gerações futuras? Temos permitido aos nossos filhos serem crianças, terem infância?

Um grande abraço, amigos! Tenham um excelente dia! Que Jesus nos abençoe!
Campos dos Goytacazes, 16 de novembro de 2012

sábado, 10 de novembro de 2012

Dom João VI

Era um homem feio, de uma indecisão comovente, não tinha o amor da esposa, viviam separados, cada um em seu castelo, Carlota Joaquina tentando conspirar contra o seu reinado, sua mãe, rainha Maria I, ficou louca e viveu por muitos anos nesta condição. Naquele tempo, o tratamento para as doenças psíquicas era precário: isolamento social, camisa de força, choque elétrico.

Portugal daquela época era uma coisa triste, de um catolicismo retrógrado, o último país a abandonar os costumes da Inquisição da Igreja Católica. Um país carola, que vivia de rezas e injustiças, de favoritismos ilícitos, só pensando no ganho fácil, vivendo da exploração das riquezas do Brasil colonial. Não valorizava o trabalho como gerador de riquezas, um reinado decadente. Dom João VI, um homem despreparado para a função que exercia.

Fiquei feliz quando cheguei no capítulo do livro "1808" de Laurentino Gomes,  que relata as transformações que ocorreram no Brasil colônia, o progresso que Dom João VI e sua Corte trouxeram para o Brasil. Que fala que Dom João VI, apesar de indeciso, soube acercar-se de pessoas competentes e ouvir-lhes, e com isto fez algumas coisas positivas, apesar dos seus muitos equívocos.

Interessante observar que D. João, apesar de despreparado, covarde, indeciso, aparentemente estar no lugar errado, ser inadequado para a função de comando que exercia, ele e sua Corte foram responsáveis pela integração do Brasil, pela unidade do nosso país; pela formação de um país de dimensões continentais, como somos hoje.

Este livro estava na minha estante faz um bom tempo, eu pensava que não leria... Livro de História... Mas gostei muito.

Fico por aqui, amiigos. Que Jesus nos abençoe!

P-20, 31 de outubro de 2012

Oração 2

Deus, nosso Pai; Jesus Cristo, Mestre amado; me ajuda, Senhor, a buscar a intimidade contigo, a orar mais e melhor, sentindo a Tua presença em meu caminho, fortalecendo-me na fé em Ti, Senhor. Adquirindo o espírito de aceitação, entrega, confiança e gratidão. Tendo a certeza de que Tu fazes o melhor por nós, independente dos resultados. Que eu não tenha tanto anseio pelos resultados... A nós cabe o esforço, a luta, a boa vontade, o empenho... A vitória pertence a Deus, e Ele nos dará a vitória no tempo certo. O importante para nós é o caminho, o aprendizado, o amadurecimento, a evolução espiritual. Ajuda-nos, Senhor, a nos predispormos a evoluir, a crescer espiritualmente, a aprender as lições que os acontecimentos podem nos oferecer.

Que não nos deixemos levar por ilusões, mas, adquiramos a consciência das nossas responsabilidades, buscando em Ti a inspiração para fazer o melhor ao nosso alcance, e que tenhamos a certeza de que não estamos sozinhos na batalha. "Não esmorecer para não desmerecer", seguir adiante, prosseguir, perseverar, progredir, avançar... Espiritualmente, claro!

Guarda-nos na Tua paz, Senhor! Assim seja!

Um abraço, amigos!

Memórias soltas

Amigos enfrentando uma doença grave; outros se tornando pais pela primeira vez; outros aniversariando; outros viajando... A vida acontecendo lá fora, e eu aqui, dentro de um bolha, antissocial, esquisito, no canto... Telefonar... Até mesmo para os meus filhos, o contato é pouco... Me sinto sem jeito, sem assunto e coisa e tal... Tímido a mais não poder, medo grande de desagradar os outros, me tolhendo a espontaneidade de ser o que sou. Vivo encolhido, espremido, numa timidez mórbida, como se não tivesse direito à vida em sua plenitude, à autorrealização, a ser feliz assim como sou, aceitando-me.

Quando menino de 11, 12 anos de idade, Liceu de Humanidades de Campos, textos de Carlos Drummond de Andrade e Clarice Lispector em livro didático, senti uma afinidade muito grande com a literatura deles. Professora de Português, Carmem Ravizini (não tenho certeza se este sobrenome se escreve assim), uma mulher linda, de uma beleza que fazia a minha imaginação infanto juvenil viajar... Ela comentou em sala de aula que assistiu a uma palestra com Clarice Lispector: a mulher falava baixo, sem emoção, sem olhar para a platéia... Para escrever era maravilhosa. A timidez parecia-me ser uma característica dos grandes escritores.

Nessa fase de Liceu, antigo curso ginasial, em algum texto de Drummond, a citação de que ele era o urso polar, não gostava de dar entrevistas a repórteres. Também lembro-me de uma expressão: torre de marfim, o escritor precisava da solidão, de ficar sozinho para criar.

Desde novinho, bem criança, o meu sonho era ser escritor, como se a literatura pudesse me salvar... (A literatura salvou Drummond). Diz ele - era uma pessoa complicada, a literatura o salvou, e o grande feito de sua vida foi ter aceitado o seu pai. Aquele pai rígido de antigamente, o relacionamente difícil com ele. As pessoas que têm conteúdo são complicadas, o ser humano, nós... Somos complicados, e aí está a beleza da vida. Se fôssemos pessoas rasas, superficiais, sem conflitos internos... A vida não seria instigantemente bela como se nos apresenta.

Um grande abraço, amigos! Que Jesus nos abençoe!
P-20, 10 de novembro de 2012

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O elogio sincero

O valor do elogio na hora certa, a força das palavras... Fui agraciado com um elogio ontem à noite: "Você é luz", na hora pensei: Bezerra de Menezes... Nossos benfeitores espirituais, quanta vibração positiva eles recebem, quantas pessoas agradecidas a eles, quão bom é fazer o bem, tornar-se uma pessoa bem resolvida na vida, somente pensar no bem, vivenciar o bem, somente amar... Você é luz! "Brilhe a vossa luz!" -  Disse-nos Jesus. É nosso destino tornar-nos pessoas felizes, seres de luz, a evolução alcançará a todos nós. Estou me sentindo um Francisco de Assis, cheio de amor para dar.

Outro elogio pela manhã, um aperto de mão acompanhado de palavras generosas: Você é uma das pessoas que a gente tem prazer de encontrar aqui na Plataforma". Um aperto de mão com uma vibração muito positiva, não tenho como esconder a minha alegria neste momento.

Que Jesus nos abençoe!

P-20, 14 de agosto de 2006

Oração

Senhor, eu tenho alguma dificuldade para orar, sou mais focado nos problemas do que nas soluções... Inseguro, acho  que não vai dar certo, me recolho em mim, às vezes me sinto antissocial, a vontade de desistir parece predominar, me acho uma pessoa desinteressante, os pensamentos não fluem bem, não consigo conversar direito, tenho dificuldade para expor as minhas idéias e pontos de vista. Fico me culpando, tenho medo do castigo divino, medo de não ir pro céu, medos infantis... Aquela necessidade de me castigar, aquele sentimento de culpa que herdamos da tradição judaico-cristã, aquela noção de pecado. Um medo infantil que não nos leva à frente, não nos faz avançar na senda evolutiva.

Gosto de ouvir o audiolivro "Orações por um mundo melhor", na voz de Rubem Alves, publicado pela Editora Nossa Cultura, e na abertura diz assim: "Oração é o suspiro da alma oprimida (...) Suspiram todas as criaturas (...) O suspiro das pessoas que não acreditam em Deus talvez seja até mais doloroso, porque é um suspiro puro, de alguém que não tem a esperança de encontrar alguém para ouvir..."  

Senhor, eu não quero mais me sentir sozinho na batalha... Nunca fui ateu, não teria coragem de sê-lo. Só que persiste em mim o medo do castigo, o que não tem lógica, porque Deus não castiga. (E quando é que nós, seres humanos, somos lógicos?) Medo de, quando morrer, não ficar bem, porque tenho algumas questões mal resolvidas dentro de mim... Muita insegurança, dificuldade de me posicionar...

Mas o que eu quero enfatizar é o seguinte: preciso aprender a confiar em Ti, Senhor; buscar realizar o cristo interno que há dentro de cada um de nós; buscar a autorrealização; o desenvolvimento das minhas potencialidades;  deixar Deus agir em minha vida; sentir-me acompanhado por Deus; pela força divina que habita dentro de cada um de nós. Ajuda-me, Senhor, a ser mais focado nas soluções; tendo a certeza de que os problemas são menores do que a Sua infinita bondade.

Senhor, quero orar mais e melhor, me mostrar mais a Ti, quero vencer esse meu sentimento de inferioridade, que me faz colocar impedimentos nas ações. Tudo nasce nos pensamentos, afasta de mim, Senhor, os pensamentos negativos. Dá-me a alegria de confiar em Ti.

Guarda-me, Senhor, na Tua paz! Assim seja!

P-20, 05 de novembro de 2012


sábado, 3 de novembro de 2012

O maior dos medicamentos - Hermógenes

Mais um belo texto do Professor Hermógenes:

"O inimigo maior do amor não é o ódio. O que mais o polui, inviabiliza, neutraliza e frusta é tudo aquilo que apenas parece amor. Por quê? Porque obscurece, ilude e cega a visão; e a pessoa se engana pensando que ama e, em verdade, somente deseja, se apega, se distrai com a curtição sensual, se contorce em tormentosas crises de ciúmes, se debate aflita no visgo da paixão.

Desejo de conquistar o outro, apego a ele se já o possui, interesse no que o outro tem ou representa ser, tensão erótica nutrida pelas formas sedutoras do outro… tudo isto parece tanto com amor que a pessoa, carente de viveka (discernimento), mergulha no torvelinho emocional, do qual dificilmente consegue escapar. Cuidado com aquilo que tão-somente imita o amor e se faz passar por amor.

Uma jovem, companheira nossa de peregrinação no Sivananda Ashram, pergunto ao Swami Krishnananda: “Por que todas as vezes que eu amo acabo colhendo sofrimento?” A resposta do yogui foi pronta e certeira: “Se há sofrimento, não há amor.”

O sofrimento é uma inevitável consequência de tudo que simplesmente se assemelha ao amor; não consequencia do verdadeiro Amor.

O que se tem denomidado amor não passa de amor-próprio, a experiência evidencia: é fonte de dramas dolorosos. O Amor, ao contrário, é a própria felicidade. É meta sublime a ser alcançada. Como? Mediante a redução gradativa do ego, ou seja, pela humildação, que minimiza a febre do amor-próprio."

Hermógenes, O Essencia da Vida, p. 229

http://www.yogahermogenes.blogspot.com.br/

Entrego, aceito, confio e agradeço - Hermógenes

Gostei muito desse texto do Professor Hermógenes... Difícil para nós ter essa confiança na Providência Divina.

"Envolvidos por uma situação de estresse violento, de desafio alarmante, assaltados pela dor em forma de doença, pelo desemprego, desconforto, quando imersos numa crise que ultrapassa nossas esperanças de solução, é imperioso mobilizar todos nossos talentos, poderes, possibilidades, nossas reservas, para tentar uma saída, uma superação. Depois disso, se ainda nos vemos submetidos, manietados, derrotados, extenuados, vencidos, condenados... que resta fazer?

Para fazer face a situações assim, que me convencem de minha impotência, tenho aplicado, com vitória, uma estratégia que minha longa existência me fez aprender: entrego o problema ou entrego a mim mesmo, confiando na providência divina, e, portanto, predisposto a aceitar o que vier como resposta, e, numa prova de amor e fé, agradeço a Deus, antecipadamente, pela resposta que Ele achar melhor, seja qual for. Entrego, confio, aceito e agradeço!

A entrega não chega a ser verdadeira se desejamos uma determinada resposta. Se nos entregarmos totalmente, de imediato a paz nos acaricia. Aí, naturalmente deixamos a batalha com Deus, que tudo pode, para que ele batalhe por nós. O alívio é imediato. Estar entregue a Deus é a mais perfeita condição de ahimsa, de brandura, de sábia imobilidade e, por isso mesmo, a mais eficaz.

Suponho que Deus, que sempre nos quer vivos, sadios, felizes, vitoriosos, se sente homenageado quando Lhe damos a chance de nos socorrer. Ele, que sempre deseja nossa fiel e incondicional confiança, aproveita a entrega e põe a nosso favor Sua onisciência, onipresença, onipotência, e é só o que nos salva. Enquanto, apavorados, estressados, nos debatemos em gestos inócuos, desesperados, imprecisos, violentos e agoniados, ele não encontra condições de assumir nossa batalha; não tem como atuar.

Ter fé em que Deus nos dará isso ou nos livrará daquilo é o que mas se vê. E achamos que agir assim é ter fé. Não é. A verdadeira fé consiste em calar para que Ele fale, em nos reder ao que Ele quiser fazer de nós e por nós. Entenda este “seja feita a Vossa vontade” como wuwey, brandura, ahimsa, não-violência, saranagathi. Se você quiser dar uma chance a Deus para que Ele ganhe a batalha, para que o salve, cure, liberte, ilumine, pacifique, o que tem a fazer é precisamente oferecer-Lhe sua quietude, sua brandura, sua não-violência. Se continuar afobado, com pode Deus atuar.

Aquietai-vos e sabei que Eu sou Deus (Salmos 46:10)"

Poema Se - Hermógenes

Gosto muito desse poema do Professor Hermógenes, um belo programa de vida, difícil de ser seguido por nós, devido à nosso imaturidade espiritual.

Poema Se  (Professor Hermógenes)

"Se, ao final desta existência,
Alguma ansiedade me restar
E conseguir me perturbar;
Se eu me debater aflito
No conflito, na discórdia...

Se ainda ocultar verdades
Para ocultar-me,
Para ofuscar-me com fantasias por mim criadas...

Se restar abatimento e revolta
Pelo que não consegui
Possuir, fazer, dizer e mesmo ser...

Se eu retiver um pouco mais
Do pouco que é necessário
E persistir indiferente ao grande pranto do mundo...
Se algum ressentimento,

Algum ferimento
Impedir-me do imenso alívio
Que é o irrestritamente perdoar,

E, mais ainda,
Se ainda não souber sinceramente orar
Por quem me agrediu e injustiçou...

Se continuar a mediocremente
Denunciar o cisco no olho do outro
Sem conseguir vencer a treva e a trave
Em meu próprio...

Se seguir protestando
Reclamando, contestando,
Exigindo que o mundo mude
Sem qualquer esforço para mudar eu...

Se, indigente da incondicional alegria interior,
Em queixas, ais e lamúrias,
Persistir e buscar consolo, conforto, simpatia
Para a minha ainda imperiosa angústia...

Se, ainda incapaz
para a beatitude das almas santas,
precisar dos prazeres medíocres que o mundo vende...

Se insistir ainda que o mundo silencie
Para que possa embeber-me de silêncio,
Sem saber realizá-lo em mim...

Se minha fortaleza e segurança
São ainda construídas com os materiais
Grosseiros e frágeis
Que o mundo empresta,
E eu neles ainda acredito...

Se, imprudente e cegamente,
Continuar desejando
Adquirir,
Multiplicar,
E reter
Valores, coisas, pessoas, posições, ideologias,
Na ânsia de ser feliz...

Se, ainda presa do grande embuste,
Insistir e persistir iludido
Com a importância que me dou...

Se, ao fim de meus dias,
Continuar
Sem escutar, sem entender, sem atender,
Sem realizar o Cristo, que,
Dentro de mim,
Eu Sou,
Terei me perdido na multidão abortada
Dos perdulários dos divinos talentos, Os talentos que a Vida
A todos confia,
E serei um fraco a mais,
Um traidor da própria vida,
Da Vida que investe em mim,
Que de mim espera
E que se vê frustrada
Diante de meu fim.

Se tudo isto acontecer
Terei parasitado a Vida
E inutilmente ocupado
O tempo
E o espaço
De Deus.
Terei meramente sido vencido
Pelo fim,
Sem ter atingido a Meta."


http://www.yogahermogenes.blogspot.com/2011/11/poema-se.html

Por que e para que escrevo - Roberto Moraes

Gostei desse texto do Professor Roberto Moraes, e destaco esse trecho: “a verdadeira inspiração é aquela que nos impele a escrever sobre o que não sabemos, justamente para ficar sabendo” (Fernando Sabino). Perfeito para mim, porque explica que a ânsia de escrever deriva do esforço do eterno aprender."

Por que e para que escrever?     (Roberto Moraes)

"Ultimamente venho pensando muito sobre a arte de escrever e sobre o poder das palavras. Muito antes da informática e da facilidade de comunicação que os tempos modernos trouxeram a humanidade já tinha a ilusão de que o ato de escrever, de expor e tentar formar opiniões, convicções era uma forma de melhorar mundo. Qual o quê. Nem antes e nem agora isso ocorre.

O mundo muda para melhor ou para pior independente das ideias que são escritas e expostas à reflexão dos outros. No máximo o ato de escrever serve para deleite do próprio e de alguns poucos que lhe passam a acompanhar a variação de opiniões.

Mesmo um Rubem Braga que escrevia e era admirado por muitos, uma vez disse: “escrevi milhares de crônicas e não creio que tivessem qualquer influência na vida política do meu país”.

Sem querer me comparar ao Rubem, lembro que ao passar a escrever de forma mais sistemática, mesmo que involuntariamente, acreditei nesta antiga ilusão de que escrever e ser lido poderia de alguma forma ajudar a melhorar minha região. Pura infantilidade e presunção. Hoje, volto mais uma vez a concordar, com Braga quando ele diz que “no Brasil escreve-se para os colegas”.

Como não sou escritor, acho, que nem para os “colegas” escrevo. Acho que escrevo apenas para aprender, para aprofundar, conhecer e guardar. Fernando Sabino disse a Clarice Lispector em entrevista reproduzida no livro com este título da escritora que “a verdadeira inspiração é aquela que nos impele a escrever sobre o que não sabemos, justamente para ficar sabendo”. Perfeito para mim, porque explica que a ânsia de escrever deriva do esforço do eterno aprender.

Não abandonei por completo, a ideia de melhorar as coisas e as pessoas através da escrita, mas hoje só vibro quando a escrita provoca reações, especialmente, as de discordâncias, pois assim, ela alimenta o debate, as discussões, a procriação de ideias e de críticas e mais que tudo: o antigo e eterno sonho que faz a gente insistir em ter um mundo que seja, ao menos, um pouco melhor.

Escrever pode ser relatar, mas também pode ser refletir em voz alta, pensar, propor e revisar, conceito e opiniões. Por isso, hoje vejo que este exercício serve menos aos “colegas” e mais para nós mesmos, porque através do que escrevemos conseguimos descobrir quem somos."


sexta-feira, 02 de novembro de 2012-11-03



sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Dia de Finados

Senhor, hoje é Dia de Finados, que possamos cultivar em nossos corações as boas lembranças dos nossos entes queridos que já partiram. Que não nos esqueçamos deles, nós, que costumamos ser tão esquecidos e ingratos, vivemos chumbados ao chão, aos interesses terra a terra do nosso cotidiano, interesses menores, imediatistas. Nem costumamos pensar que um dia também faremos a grande viagem. Nos aborrecemos por  pouca coisa, fazemos questão das mínimas coisas, perdemos o bom humor facilmente, somos inseguros, medrosos, tímidos, somos prisioneiros de problemas imaginários... (Falo por mim, claro).

Mas a morte costuma me inspirar bons pensamentos, me trazer de volta o foco da vida eterna, de que existe algo além desta vida, de que existe uma finalidade sublime para as nossas vidas. Diante da inevitabilidade da morte, eu me vejo nas mãos de Deus.

Senhor, que eu me sinta nas Tuas mãos e aprenda a valorizar a vida, aprenda a viver melhor, agradecendo mais a Ti. 

Abençoa, Senhor, os nossos entes queridos que partiram antes de nós.

Guarda-nos, Senhor, na Tua Paz! Assim seja!

P-20, 02 de novembro de 2012