sábado, 1 de dezembro de 2012

Fé e caridade


“Fé na vida, fé no homem, fé no que virá”, diz uma canção da MPB. Fé em Deus que nos faça nos abrir, sair de nós mesmos, nos tornar cidadãos conscientes dos problemas sociais e solidários com aqueles que sofrem. “Ter fé em Jesus é fácil; difícil é ter a fé de Jesus” (Frei Beto). A fé que nos conduza ao amor ao próximo, a viver com responsabilidade, a pensar na felicidade do outro. A fé que se liga somente à salvação individual, desatrelada da questão social; a fé egoísta, que nos faça pensar e querer resolver somente os problemas pessoais, que traduz uma visão individualista da vida, é tudo o que o sistema capitalista quer e incentiva. A fé deve operar para reduzir as injustiças sociais. (7ª Bienal de Campos, mesa com Frei Beto, Professor Júlio de Vila Velha e Pastor Elber Silva, da 2ª. Igreja Batista de Campos, com mediação de Jéferson, Diretor do IFF Centro de Campos, em 29/11/2012).

Senhor, quero sair de mim mesmo, deixar de olhar somente para o próprio umbigo, deixar de viver preocupado somente comigo, olhando demasiadamente para as minhas deficiências, para as minhas impossibilidades. Quero deixar de viver colocando impedimentos na ação, desanimando, desistindo, achando que não vai dar certo antes mesmo de tentar, me bloqueando, me boicotando... Isto é uma forma de egoísmo paralisante, pois, coloca impedimentos nas ações e atitudes que preciso tomar.

Quero aderir a uma causa nobre, humanística, que me dê a certeza de que estou tentando praticar o amor ao próximo, de que estou tentando praticar os ensinamentos de Jesus. Quero me sentir igual ao morador de rua, quando me deparar com um deles, exercitar um olhar de compaixão perante os menos favorecidos...

Semana passada, estava em Guarapari com a esposa, confortavelmente sentado numa cadeira de praia, sombra e água fresca na Praia das Castanheiras... Tudo de bom... Então chega um morador de rua, um senhor de cabelos ralos, mas um pouco compridos, barba por fazer, deficiente físico (falta-lhe uma perna), pede uma esmola, mas não é bem sucedido no seu pedido a algumas pessoas na areia da praia... Para e fica um tempinho contemplando o mar... Penso na paciência que precisa ter para viver com estas restrições: na mobilidade, falta de moradia, de dinheiro, carência de alimentação... Nós por muito menos, vivendo na abundância, uma vida sem problemas, tranquila... Mesmo assim, temos momentos de inquietação, de ansiedade, de tensão pré embarque...

Senhor, me ajuda a desenvolver o sentimento de autoaceitação e fazer o bem que estiver ao meu alcance, a praticar o amor ao próximo. Lembro-me de um belíssimo pensamento: “Procurei Deus, não encontrei; procurei a alma, não encontrei; procurei o outro, encontrei os três”. Senhor, me ajuda a empreender essa busca de Ti, através do outro, me abrindo para o outro, aprendendo a ver as necessidades do outro e a praticar a caridade nos relacionamentos de amor e de amizade.

Guarda-me, Senhor, na Tua Paz! Assim seja!
P-20, 01 de dezembro de 2012




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