Nasci numa família pobre mas bem estruturada,. Houve o tempo da escassez, das panelas vazias que conheço de ouvir falar, porque sou o filho caçula e era muito pequeno para entender o que se passava, não dá para lembrar. Graças a Deus gostei da escola, do ambiente escolar e vi que esse era o caminho para mim: os estudos para futuramente tentar um bom emprego.
Passar no exame de admissão para o Liceu de Humanidades de Campos em 1971, foi um momento de glória para mim. Havia o exame de admissão para o antigo curso ginasial, que neste ano se tornara o curso fundamental, fazendo a fusão entre o antigo curso primário e o antigo ginásio. Vi o meu nome num jornal da cidade, na lista de aprovados, fiquei todo bobo de ver o meu nome impresso num jornal.
Estudar no Liceu, naquele casarão bonito de tanta tradição, era motivo de orgulho, sendo o Liceu um dos melhores colégios de Campos. Os rapazes estudavam no Liceu, quase não tinha meninas naquela época, na minha sala só havia duas. As meninas estudavam no IEPHAM - Institudo de Educação Professor Aldo Muylaert. As moças costumavam fazer o curso normal para serem professoras.
A rivalidade entre alunos do Liceu e da Escola Técnica Federal de Campos era grande. Nos desfiles de 7 de setembro, alunos de uma escola vaiavam o desfile da outra, às vezes havia confusão, briga de alunos após o desfile. Era semelhante à rivalidade de cidades vizinhas como Campos e Macaé.
Terminando o primeiro grau, Adilson, meu irmão mais velho, me aconselhou a fazer prova para a Escola Técnica que tinha o ensino profissionalizante e poderia ficar mais fácil de conseguir um emprego. Não queria fazer a prova porque gostava muito do Liceu, e também pelo medo da mudança que é uma das minhas características. Mas fiz a prova e passei e foi com tristeza que saí com Liceu.
Embora o curso técnico não fosse a minha praia, graças a Deus fiz um bom curso de Eletrotécnica, com boas notas nas matérias.
Depois veio o concurso da Petrobrás, passei e ingressei na área técnica com a qual não sinto um pingo de afinidade.
Antes de entrar na Petrobrás, cursei o primeiro período de Comunicaçao Social na Faculdade de Filosofia de Campos. Logo na primeira aula, a Professora Diva Abreu disse que éramos privilegiados por estar cursando o terceiro grau. É uma minoria que chega à Faculdade.
Logo que entrei na Petrobrás, quis sair, voltar pra casa, não tinha nada a ver comigo a área técnica. Havia também o fato de ter saído para uma cidade distante, Aracaju, com 19 anos de idade, a saudade de casa, eu que era tímido demais, nunca havia saído de casa antes. Mas, graças a Deus, não pedi demissão e nestes 32 anos de Empresa, embora me veja trabalhando sem gostar, o que é ruim, foi uma boa opção ter ficado.
Vejo que Deus me colocou numa zona de conforto, porque tendo o problema econômico resolvido, a vida se torna mais suave, menos áspera. Tenho muitos motivos para agradecer a Deus, e é claro, se Deus nos coloca numa zona de conforto, Ele espera algo de nós, precisamos retribuir pelo muito que temos recebido. Lembro-me do que disse o Dr. Flávio Mussa Tavares numa aula na Escola Jesus Cristo: "Eu me sinto no dever de atender a um paciente pobre que não pode pagar, porque sempre estudei em escolas públicas, a sociedade pagou para eu estudar, preciso de alguma forma retribuir à sociedade."
Peço a Deus que me ajude a me sentir útil à sociedade, me ajude a me sentir produtivo. E principalmente: que eu me sinta agradecido a Deus.
Que Jesus nos abençoe!
Campos dos Goytacazes, 13 de agosto de 2011
13 de agosto de 1979 foi a data em que entrei na Petrobrás, como bolsista no curso de Capataz de Produção. Me lembrei da coincidência de datas depois de terminado esse texto.
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